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Poetas Vivos
Como são loucos os poetas,
escrevem na pedra não lapidada
escrevem na areia, antes do preamar
lêem nas estrelas versos lúdicos
...
Como são loucos os poetas,
dirigem naves intergalaxiais
traçando rumos
no meio dos dragões
sedentos, pelos bares
na rua da sobriedade
...
Como são loucos os poetas,
não são remunerados e
cantam todas as noites
fazem versos do “nada”
descobrem sentimentos
e sonham como o vento
constroem muralhas intransponíveis
ultrapassam paredes invioláveis
e se perdem na fumaça solta
não tem idade,
não tem relógio
...
Como são loucos os poetas,
desafiam exércitos,
convocam falanges
e disputam com os magos
no reino dos deuses
...
Como são sábios
estes loucos poetas
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 14h59
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Viro e vejo vírus
Eu vi um vírus
virando uma vida!
fiquei surpreso,
e viajei nas vísceras
vomitando vidas viradas,
versejei a virose nos versos,
bocejando, buscando o ar,
que o vento leva
refrigerando túmulos
num vazio sepulcral,
vaguei na vitrine
da degustação
na solta febre viva
da voltaica carga decrescente.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 09h37
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Reflexão poética
Para entender sua poesia
Tem que saber o que é hipocrisia
Para entender os versos
Tem que está no avesso
Para escrever o desnecessário
Tem que ser poeta vegetativo
Para entender a poesia
Tem que ler poesia
Para falar de amor verdadeiro
Tem que viver a utopia passional
Para entender a poesia,
que não diz nada,
Tem que correr o risco literário
Para ser um grande poeta
Tem que ter um amigo marqueteiro
Para viver um grande sonho
Tem que embernar no sectarismo
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 16h21
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Sem poder falar
Que espaço mórbido!
não vejo o lúdico
que o mundo toca
escondido na toca.
Combino letras soltas,
faço versos livres.
no convívio preso,
libero o louco peso.
Que lindo jogo sujo
na camada de cima
inalado pelo nariz!
ninguém ousa sentir
está sempre a mentir
e preso, se acha infeliz.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 14h11
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Nos braços
Como choro na lama
derramo na cama
pedaços água de mim
não mas o prazer em ebulição
mas! Rio corrente,
fonte renovando vidas
na vertente do ser.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 10h17
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Guarda roupa
Abrir as portas do
guarda roupa
e nada saiu de dentro
vomitei um ácido azul
não tinha roupa
no guarda roupa
me vestir de nu
que porta!...
era passagem
para um vazio vivo
adormecido no vácuo
Abrir a porta do
guarda roupa
e não encontrei
o que esperava
parecia um vento frio
dentro da roupa
rasgando a pele
saindo de uma luz lilás
de sabor acre doce
o guarda roupa
guardava o arco íris
e as cores saiam na noite
como flechas incandescentes
vomitando cores
sem pintar de verde o coração
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 09h28
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Orvalho lilás
Quando a faca
corta o sangue,
o corpo derrama neve
no asfalto e
o ultra grito não se ouve
na reação endotérmica,
sutilmente o curso vazio
do termômetro termina
e o metal líquido, pesado,
explode colorindo a nuvem,
dos restos, se fizeram palavras
no brilho fusco da luz néon,
só as fatias de asnos sobram
na madrugada!
fio de neve absorve
os pedaços do corpo
e o metal faca corta caminhos
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 18h09
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Este teu sorriso
é uma mentira que
tento acreditar
todos os dias como
se fosse verdade
e sofro calado
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 11h17
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Hibernando
Na mesma primavera
quando dormir só
acordei no sonho antigo
era um reencontro
com a esperança
de ter descoberto
o tempo perdido
não tinha grito solto
nem uma paixão perdida
na ébria tarde noite
sonhos idealistas
cruzando a mesa farta
repleta de sonhos,
entorno de si
paradoxo ao sonho real,
o etílico desejo acorda,
hibernando a paz,
como se o antagônico
fosse precioso combustível
na odisséia humana.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 10h58
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Sono de “casal”
Já não rolo mais no colchão
você me joga de lado
como efeito ioiô
venho e volto meio elástico
não rolarei mais com os meus desejos
jogaste um lençol molhado
na minha imaginação
me desgasto sozinho
não durmo,
não me entrego,
me pergunto,
por que não aconteceu?
até que o lençol esperou...
exalando o amaciante
...era só uma noite como amantes
e eternizaria um momento
...era um jogo de teatro
jogaríamos de verdade
no colchão,
na mesa,
no chão...
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 19h42
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Intruso
Não tenho medo de dizer
que cheguei
e que não estou,
porque sou partículas moveis
agrupadas
movendo no fluxo do vento
numa forma, dita, humana,
não busco alegrias
nem vivo melancolias,
se o meu grito é silêncio
então tape os ouvidos
e viva o escuro do som
no nevoeiro cefálico,
entenda a hipocrisia,
e ponha lenha na fogueira
acendendo as moléculas mortas
no fluxo e refluxo
da matéria.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 08h25
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Quero nascer agora
como parte de tua cabeça
só quero ser um desses
fios brancos do teu cabelo
sentir, viver tuas dores
e dizer calado que
as dores são falsas
quando não choro
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 18h04
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Punhal de prata
Não me deixe sozinho
na noite
que viro lobisomem,
metade bicho,
metade homem,
de cor amarela,
pêlo no corpo inteiro,
cheiro azedume,
passo veloz na estrada
com medo do sangue,
correndo na raia,
espetando nos raios
da lua prateada,
com os olhos vermelhos
da reza forte,
me embrenho no matagal
e não vejo o sinal,
no meu rosto amarelo,
fecho os olhos,
fecho os bares na madrugada,
na calada da noite
me desfaço de homem,
num capuz preto,
com medo da luz,
com medo da cruz
e de um punhal de prata
cravado no peito!
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 11h19
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Animal enfeitiçado
Uma fera, feia, feroz,
seu desejo simples
torna-se algoz,
no meio do vento
carregando nuvens
de néon, na noite,
exalando enxofre
como se fosse perfume
de flores silvestres,
de todas as cores,
no meio do jardim,
queimando sândalo,
na chuva de carmim
feito fera astuta
se perde sozinho
nas nuvens de gás
e no cheiro da chuva,
preso na moldura
da armadilha.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 08h01
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O show já terminou
bebe do meu suor
me joga na relva
e me derrama
no teu corpo
enquanto
a última lagrima
cai no rio e corre para o mar
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 07h48
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