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Soltando a poesia
Onde vai o contorno do universo?
some no eco solto dos versos
como se fosse novelo de lã,
emaranhado, rolando,
desnovela fios nervosos
saindo do medo
como lógica voando no avesso
foge da ótica no frio
do fio da faca no tropeço
assim pousa nos trilhos
da trilha do mistério,
sem critério,
acendendo luz fosca
no brilho do fundo do mar
mesmo presa, a
respiração tem vida
se no calor dos corpos
borbulham bolhas pro ar,
subindo nas nuvens deslizam
no cheiro transparente
da atmosfera colorida
descobrindo outro universo.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 23h56
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Língua de dois gumes
A minha língua, lamina,
lânguida
faca sem gume
luz sem lume
vaguei no teu intimo
contraindo músculos
ouvindo “uis” frenéticos
num túnel climatizado
passeia solta no movimento ágil
lambendo selo
passando pagina
com sede sexo
tirando a fala
bebe o sabor acre doce
de um corpo nu
rolando na cama,
na trama
cai o teto de um castelo
a pirâmide olha pro céu
e lambe na língua.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 23h55
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“Agora!
não moverei uma pedra
para você passar,
pois, já te ensinei
a mover montanhas”
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 23h54
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Trinergia
Essa trinergia faz-se vida No livre momento do outro Multiplicando a existência Num físico solto que resiste
Triangulo de vértice único No encontro comum casual Que a trinergia concentra No endotérmico passional
Três seres vivos se amam Três vida moveis se buscam No mesmo fluxo circular
Trinergia mantém três atos No fluxo bio telepático Do silêncio vivo da noite.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 23h53
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Intra-universo
Onde vai o contorno do universo,
se some no eco solto dos versos
como se o que fosse emaranhado,
desenovelasse fios saindo do medo,
como se fosse, a lógica voando no avesso,
foge da ótica, o fio da faca, no tropeço,
assim, como pousa na trilha do mistério
a descoberta vivida na vida sem critério
caso esconda luz no fundo do mar,
mesmo presa a respiração, tem vida
se o calor dos corpos borbulham
bolhas pro ar, pra trás das nuvens,
deslizam no cheiro da atmosfera
quando se descobre outro universo.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 23h53
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E chegastes...
Quando aqui chegastes, E chegastes...
sem avisar,
fotossíntese, foco
feixe de luz reluzindo
atiças desejos
sei que não viverei novo prazer
de viajar no teu corpo,
nas tuas entranhas
tateando caminhos vivos,
sem fazer desse transitável desejo
uma obsessão doentia.
Talvez até me encontre na imaginação
descobrindo detalhes na masturbação
se sonho todos os dias no cristal
deslumbro no desejo cego
uma luz cintilando queimando,
fogo ardente,
num sexto sexo sentido.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 23h52
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Ocupando Vazios
Desvenda neste vazio
buraco negro,
o elo que procuras,
o beijo que desprende do
teu sexo
derramando chuva de vidas
pasme!
o passeio começa na anciedade,
começa no fim,
no meio,
pra começar agora
veste a roupa da nudez
no ávido gesto do prazer,
vem no seu jeito manhoso
“pro” gozo maior da lucidez
não da mais pra ferir a vontade,
não existe mais o espaço
mexa-se dentro do vazio,
dentro de mim,
o cosmo cansou de esperar
e as estrelas sonham...
e os nossos olhos brilham.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 23h51
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GENEÁLOGICA
Os sonhos dilatam esperanças
Na noite térmica
Cruzam montanhas íngremes
Pelo fundo do oceano
Despetalando nas arvores genealógicas
Os espaços ínfimos que o tempo guardou
Neste momento sólido transcendental
Materializando os fantasmas velozes
Viajando com os trasgos moribundos
No facho incandescente de outras luzes
Que o som sinuoso ilumina
Veredas que a massa cefálica traçou
No crânio embebido de vida
Na vaga passagem amorfa!
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 23h50
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Sonho estranho
Pensei naquele sonho que repetiu,
Era uma viagem, um sonho só meu
Imagem viva, vinha turva e sumiu
Alegre, tangenciando a cor do céu.
Não vi como começou a história
Que refluxa no ápice da memória,
É um sonho que é só um sonho
Feliz, como uma peça sem tamanho
No jogo da busca do mistério
Que o sonho arma, indecifrável,
Sem definir qualquer critério,
Era como um espaço inflável,
Sem fuga no plano infalível,
Como se o estranho fosse belo.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 23h49
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NECESSÁRIO
É preciso conviver com o desejo
Sentir vontades sutis inexplicáveis
Voando... sem pousar... no ar...só,
Prazeres que o imaginário realiza.
É energético o que é utópico,
Estimulador de buscas incessantes.
É preciso buscar outros desejos
Enquanto o novo sai do permitido,
É simples, é só buscar descobertas,
Descobrir o véu, mostrar-se livre,
Sair de rotinas pre-programadas,
Dar-se, trazendo pra si o que quer
Vivendo outro momento lunático
Enquanto for preciso novo desejo
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 23h48
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POETAS VIVOS
Como são loucos os poetas,
escrevem na pedra não lapidada
escrevem na areia, antes do preamar
lêem nas estrelas versos lúdicos
Como são loucos os poetas,
dirigem naves intergalaxiais
traçando rumos
no meio dos dragões
sedentos, pelos bares
na rua da sobriedade
Como são loucos os poetas,
não são remunerados e
cantam todas as noites
fazem versos do “nada”
descobrem sentimentos
e sonham como o vento
constroem muralhas intransponíveis
ultrapassam paredes invioláveis
e se perdem na fumaça solta
não tem idade,
não tem relógio
Como são loucos os poetas,
desafiam exércitos,
convocam falanges
e disputam com os magos
no reino dos deuses
Como são sábios
estes loucos poetas... Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 23h48
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REFLELAXE
Pense no vento cantando chácaras
Pelos templos dos Monges Indianos
Escutando as chaves abrindo claras
Portas para o canto Gregoriano.
Sinta o sol aquecendo outra água
No rio perene, nascente do batismo,
Regando caminhos com água viva,
Renovando fluida vinda do altíssimo.
Passei pelas estrelas, seu espaço,
Nos braços do universo noturno
Reflexo da mistura de outro turno.
Relaxe e pense, liberte-se do cansaço,
Pense no canto dos Monges Tibetanos
E cante o canto latino Gregoriano.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 23h47
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ESPERANDO
Te esperei para almoçar no bar
Te esperei para fugir da virgindade
Te esperei para aprender poesia grega
E sentir o estado de nova liberdade.
Te esperei no canto escuro da traição
Te esperei nas vielas tortas do amor
Te esperei no sentido vivo da emoção
E sentir, mais uma vez outra dor
Te imagino apertando meu corpo
Me imagino, nu nos teus olhos,
Consigo momentos vivos no utópico
Te imagino com medo do meu corpo
Me sinto hipócrita nos sentimentos
Consigo viver sozinho pelos trópicos.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 23h46
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... e a madrugada
Senti na madrugada fria
que tem desertos
sem lábios vermelhos
na face das flores amarelas
cartas, pétalas, buscas búzios,
ninguém sabe a quantos passos
está do paraíso,
sem medo, vai, vai...
comungando com a gravidade
imersa no peso
de um deserto livre
envelhecido na ansiedade
quem sabe o que ocorre
na espinha?
gela,
sufoca,
engasga no amor e
corre no frio medular
um rio de sangue nervoso.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 23h46
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"Só a vida permiti a busca constante de um novo ciclo" Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 23h41
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