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Esperando
Te esperei para almoçar no bar
Te esperei para fugir da virgindade
Te esperei para aprender poesia grega
E sentir o estado de nova liberdade.
Te esperei no canto escuro da traição
Te esperei nas vielas tortas do amor
Te esperei no sentido vivo da emoção
E sentir, mais uma vez outra dor
Te imagino apertando meu corpo
Me imagino, nu nos teus olhos,
Consigo momentos vivos no utópico
Te imagino com medo do meu corpo
Me sinto hipócrita nos sentimentos
Consigo viver sozinho pelos trópicos.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 17h23
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Reflelaxe
Pense no vento cantando chácaras
Pelos templos dos Monges Indianos
Escutando as chaves abrindo claras
Portas para o canto Gregoriano.
Sinta o sol aquecendo outra água
No rio perene, nascente do batismo,
Regando caminhos com água viva,
Renovando fluida vinda do altíssimo.
Passei pelas estrelas, seu espaço,
Nos braços do universo noturno
Reflexo da mistura de outro turno.
Relaxe e pense, liberte-se do cansaço,
Pense no canto dos Monges Tibetanos
E cante o canto latino Gregoriano.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 17h21
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Poetas vivos
Como são loucos os poetas,
escrevem na pedra não lapidada
escrevem na areia, antes do preamar
lêem nas estrelas versos lúdicos
Como são loucos os poetas,
dirigem naves intergalaxiais
traçando rumos
no meio dos dragões
sedentos, pelos bares
na rua da sobriedade
Como são loucos os poetas,
não são remunerados e
cantam todas as noites
fazem versos do “nada”
descobrem sentimentos
e sonham como o vento
constroem muralhas intransponíveis
ultrapassam paredes invioláveis
e se perdem na fumaça solta
não tem idade,
não tem relógio
Como são loucos os poetas,
desafiam exércitos,
convocam falanges
e disputam com os magos
no reino dos deuses
Como são sábios
estes loucos poetas...
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 17h19
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Necessário
É preciso conviver com o desejo
Sentir vontades sutis inexplicáveis
Voando... sem pousar... no ar...só,
Prazeres que o imaginário realiza.
É energético o que é utópico,
Estimulador de buscas incessantes.
É preciso buscar outros desejos
Enquanto o novo sai do permitido,
É simples, é só buscar descobertas,
Descobrir o véu, mostrar-se livre,
Sair de rotinas pre-programadas,
Dar-se, trazendo pra si o que quer
Vivendo outro momento lunático
Enquanto for preciso novo desejo
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 17h16
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Sonho estranho
Pensei naquele sonho que repetiu,
era uma viagem, um sonho só meu
imagem viva, vinha turva e sumiu
alegre, tangenciando a cor do céu.
Não vi como começou a história
que refluxa no ápice da memória,
é um sonho que é só um sonho
feliz, como uma peça sem tamanho
No jogo da busca do mistério
que o sonho arma, indecifrável,
sem definir qualquer critério,
Era como um espaço inflável,
sem fuga no plano infalível,
como se o estranho fosse belo.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 17h11
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... e a madrugada
Senti na madrugada fria
que tem desertos
sem lábios vermelhos
na face das flores amarelas
cartas, pétalas, buscas búzios,
ninguém sabe a quantos passos
está do paraíso,
sem medo, vai, vai...
comungando com a gravidade
imersa no peso
de um deserto livre
envelhecido na ansiedade
quem sabe o que ocorre
na espinha?
gela,
sufoca,
engasga no amor e
corre no frio medular
um rio de sangue nervoso.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 17h07
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Espectros vivos
Enquanto, os espectros vejo
Fico louco de viva expectativa.
No celebro malabarista, cultivas,
Fragmentos do doentio desejo,
Masoquista do próprio momento
Sofre sorrindo!... Desejo doente...
Espero no estacionamento,
No quarto móvel... Ser decadente
Espectro, concreto nu visível,
Divisor de inúmero medo
Pulando, foge do previsível.
Criador astuto de visões,
Feixe de flechas de folguedo,
Espectro vivo clareia os vagões.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 10h36
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Ouvindo a voz
O que vem por trás dessa voz
Tão meiga, no timbre sensual
Deslocam fluidos dentro de mim
Como se fosse um poema virtual,
O que traz essa voz penetrável
Tão suave, mexendo por dentro
Misturando a voz e o sentimento
Num instante tão pequeno
O que traz essa voz relampejante
Que vai me deixando molhado
Te imaginando no outro lado,
O que vem por trás dessa voz
Que traz a surdez excitante
No vazio do imaginário sagaz.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 09h36
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Qual fotografia?
Por que a foto mentiu?
não revelou os gametas
nem hasteou a bandeira
saiu nítida, estática,
sem ver o corpo excitado
nem o sexo tremer
puxa!
que fotografia!
escondeu a geografia
calou o tempo sublime
essa foto me redime
corroe a história
foge sorrateiramente
sem deixar a memória
foge do mundo real
esconde desejos
quando o pano de fundo
é espuma do mar
cadê o fato?
ninguém viu o grito,
só ficou o cheiro e
o sol penumbrando...
o filme queimou
e a foto não revelou.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 07h34
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Antes! O beijo
Que beijo é esse que não vem!
não quebra vazios
nem fraciona as cores
que o arco íris oferece
não invade becos
nem sai da ansiedade
lambendo o limite
sem preencher o vácuo
que o vento sopra
no mesmo sentido
que beijo é esse
que se esconde
dentro da libido moralista
molhando na chuva seca
uma fumaça tremula
de dois fogo ardentes
queimando juntos
nas preliminares do jogo...
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 15h56
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É já! Acolá! Ação!
Descobrir os prazeres do átomo
sem desatar o nó do laço
é o principio do coito na sede do cio
... e o circo roda, roda, para...
sem derramar o mar
que insiste no fluxo e refluxo
são os ossos do oficio
pelo olfato etílico
movimento imperceptível
em massa móvel
flutuando na foto do mar espumante
desperdiçando moléculas vivas
na malha intima
fora da vitrine
sem gametas “x” ou “y”
escorrendo sabor acre doce
do gosto vivo
na vida dos átomos atérmicos.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 15h53
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Narcisismo impreciso
Preciso do impreciso
fluorecendo no narcisismo
refletido
no ar imprevisível
nos espaços perfumados
de gosto insaciável
explosões múltiplas
no foco da existência
das macro moléculas
que o corpo energisa
na bendita hora
que soarem sem tom
definido harmonicamente
anunciando o refluxo vibratório
que só os sábios sensíveis,
esperam
tão previsível
numa excitação calada
que só um ente sente
no digital de um relógio
impreciso.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 05h49
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Com Vontade X Sem Querer
Você me jogou do teu lado!
não me olhou, nem sei,
pasmo!
olhando pro escuro
como louco, fiquei encabulado
até desesperei, não despertei
corri onde os olhos não viam
batendo em lugares ocupados
fugindo, abrindo espaço
sem reta, sem rima na poesia
só o micro computador
entende um ser abandonado
e compartilha sua dor
conta historias e namora
passa pagina com clique,
passa o tempo, como a hora
você me joga dos braços
deixa-me apertar e empurra
pro outro lado, alega cansaço
não consigo mais dormir
me embriago de fantasias,
nos versos brancos da poesia
faço o imaginário co-existir
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 00h04
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Borboleta negra
No centro, o circo armado
lona encardida iluminada,
na luz, a borboleta estrela
asa preta, pinta vermelha
como abelha de jardim,
ao som roncado da rabeca,
pula da flor sem necta
fugindo do gozo, foge de mim
se esconde por trás do mastro,
dança no foco, sem palco,
longe bate asas bem alto
não vê o negrume do astro
nem sabe... na noite da borboleta
é fumaça, a explosão de espoleta.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 00h00
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