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Punhal de prata
Não me deixe sozinho
na noite
que viro lobisomem,
metade bicho,
metade homem,
de cor amarela,
pêlo no corpo inteiro,
cheiro azedume,
passo veloz na estrada
com medo do sangue,
correndo na raia,
espetando nos raios
da lua prateada,
com os olhos vermelhos
da reza forte,
me embrenho no matagal
e não vejo o sinal,
no meu rosto amarelo,
fecho os olhos,
fecho os bares na madrugada,
na calada da noite
me desfaço de homem,
num capuz preto,
com medo da luz,
com medo da cruz
e de um punhal de prata
cravado no peito!
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 11h19
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Animal enfeitiçado
Uma fera, feia, feroz,
seu desejo simples
torna-se algoz,
no meio do vento
carregando nuvens
de néon, na noite,
exalando enxofre
como se fosse perfume
de flores silvestres,
de todas as cores,
no meio do jardim,
queimando sândalo,
na chuva de carmim
feito fera astuta
se perde sozinho
nas nuvens de gás
e no cheiro da chuva,
preso na moldura
da armadilha.
Zé Martins
Escrito por Zé Martins às 08h01
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